A Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC), desenvolvida no âmbito do projeto ClimAdaPT.Local, estabeleceu a necessidade de desenvolver e implementar um Plano de Valorização e Reabilitação das Linhas de Água (PVRLA), com recurso às melhores práticas de engenharia natural.
Objetivos
Promover a adaptação dos recursos hídricos da cidade do Porto aos efeitos das alterações climáticas;
Caracterizar detalhadamente os rios e ribeiras;
Identificar e priorizar medidas e investimentos;
Promover a implementar soluções baseadas na natureza;
Analisar perigos, impactos e riscos considerando diferentes cenários climáticos;
Fomentar o envolvimento e participação dos stakeholders.
Principais Ações
O PVRLA compreende a elaboração de uma situação de referência (enquadramento, caracterização e diagnóstico), a definição de cenários climáticos, a análise de riscos e perigos, a sistematização de um programa de medidas, acompanhado de um cronograma de execução física e financeira, e, por fim, a elaboração de um plano de monitorização e manutenção. O desenvolvimento do plano encontra-se dividido em várias fases, nomeadamente:
Fase 1 | Enquadramento, caracterização e diagnóstico: enquadramento jurisdicional, institucional e normativo das linhas de água, bem como caracterização das bacias hidrográficas em termos geológicos, hidrográficos e hidrológicos, do tipo de solos e ordenamento do território, das massas de água e de outros elementos relevantes.
Fase 2 | Definição de cenários climáticos, análise de perigos e riscos: caracterização das bacias hidrográficas no que respeita aos perigos e riscos associados às potenciais alterações climáticas previstas na EMAAC, sendo esta análise determinante para as fases posteriores do plano, nomeadamente para a definição e priorização das intervenções e para a preparação dos planos de monitorização e manutenção.
Fase 3 | Elaboração do programa de medidas e do cronograma de execução: definição de medidas, técnica e economicamente sustentáveis, apoiadas em indicadores de monitorização, para atingir e preservar o bom estado das massas de água e promover a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, como, por exemplo, secas, cheias e inundações.
Fase 4 | Plano de monitorização e manutenção: estabelecimento das orientações para o acompanhamento do estado das linhas de água.
De destacar a inovação nos processos de envolvimento e auscultação de
stakeholders, através da realização de um
bootcamp dedicado à idealização e aceleração de soluções. Durante três dias, 86 participantes, de 45 entidades diferentes, fizeram uma reflexão coletiva sobre o caminho a seguir para a proteção e valorização dos rios e ribeiras que atravessam a cidade do Porto, culminando na apresentação de várias propostas de valor. Este trabalho resultou da convergência de mais de 4000
post-its, espalhados por nove mapas de ideação, traduzidos em 983 ideias e, por fim, em 48 propostas de valor representadas num
canvas ilustrado inspirado no filme de animação
“À Procura de Nemo”.
Principais Resultados
O PVRLA constitui uma ferramenta fundamental de planeamento estratégico num contexto de adaptação do território aos efeitos das alterações climáticas, sendo também essencial na gestão do ciclo urbano da água. Pretende-se com este projeto, ainda em execução, alcançar os seguintes resultados:
Identificar e priorizar medidas e investimentos que minimizem a vulnerabilidade do Município do Porto, e dos recursos hídricos em particular, às alterações climáticas.
Definir estratégias de apoio à tomada de decisão, devendo o plano ser objeto de revisão periódica e melhoria contínua, de modo a acompanhar a evolução do conhecimento sobre as alterações climáticas e outros aspetos que afetam os recursos hídricos;
Constituir uma linha orientadora para a gestão mais integrada e eficiente dos recursos hídricos, servindo de base para a estratégia de planeamento urbano e funcionando como um fator potenciador da valorização do território e do património;
Priorizar soluções de drenagem “verdes” (fornecidas pela natureza) em detrimento das soluções “cinzentas” (tradicionais);
Causar um impacto positivo nas atividades económicas e sociais e nos ecossistemas;
Melhorar a qualidade de vida da população residente e flutuante do Porto devido à minimização dos efeitos das alterações climáticas (cheias, ondas de calor e galgamentos costeiros) e à criação de áreas de elevado valor ambiental, paisagístico e social;
Envolver as partes interessadas relevantes no desenvolvimento do projeto e da população na preservação e conservação dos recursos hídricos.